Inajá Martins de Almeida
Não quer deixá-lo sozinho;
Não quer ficar só.
Mas...
Também não quer sufocá-lo;
Não quer ser sufocada.
Então... O que fazer!
Pensa na distância que os separa;
No forte desejo de se estar perto;
No querer sentir seu toque;
Querer curtir o primeiro projeto.
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pintura sobre tela - Elvio A.Arruda
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Assim, um tanto quanto angustiada,
Se lança, de coração pra coração,
No projeto como, carinhosamente,
Tratam o primeiro trabalho.
Escreve...
Lê...
Pesquisa...
Nem sempre nessa mesma seqüência.
Liga o computador
Abre a caixa de mensagens e,
Procura, incessantemente,
Respostas às suas indagações.
Elas nem sempre chegam...
Quer ligar...
Quer falar...
Quer ouvir sua voz...
Precisa colocar pra fora a saudade:
A vontade de querer estar perto.
Então...
Retorna ao computador.
E, num ato solitário... Escreve.
Um tanto quanto nostálgica,
Volta a pensar no projeto – o livro –
A ser editado
E na alma bate um clique.
Intercala, dele, as falas,
Aos textos dela.
E volta a pensar
Naquele que traz novo alento
Ao seu viver.
Naquele que já é parte integrante
De seus monótonos dias.
Pensa na distância que os separa,
Vez ou outra como a pior inimiga...
Mas também como a maior amiga...
Que impulsiona pra frente,
Que dá asas à imaginação,
Que leva o coração a cantar de formas várias.
– Só quem tem a veia poética
Sabe entender o que se diz agora.
Mas... Esquece a saudade,
A angústia positiva leva a produzir.
Recorre então à palavra – ela a direciona ao livro,
Ao projeto cantado em
Frases, versos e prosas a quatro mãos.
Pincela algumas falas no texto em composição,
Ainda sem um nome definido – há vários delimitados.
Mas as linhas se apresentam
E as lãs começam a dar passagem
Mesclando umas nas outras
Num tecer sem fim.
E, ao se pensar num clique n’alma
As lãs e linhas cedem ao seu encantamento.
Que confusão...
Lãs... Linhas... cliques n’alma...
Lado a lado caminham,
Melhor ainda: – a quatro mãos
Entre pensamentos para refletir,
Fazendo parte da seqüência de projetos.
E assim, nesses cliques da imaginação,
Artesã se põe a versejar,
Com lãs e linhas, numa intimidade
Que viera desde infância,
Enquanto o encontro virtual abre passagem
Para os cliques n’alma.
Aí... O ato de escrever que hibernava no ato de ler
Da escritora que nascia, pede passagem
Para a leitora contumaz,
Que passa a declinar o verbo nas suas variadas formas:
– Pensamentos, frases, versos, prosas.
Assim... Ela que jamais sonhara
Escrever seu próprio livro, vê-se às voltas com ele;
Melhor ainda, agora não mais só,
Mas numa composição a quatro mãos
Num concerto afinado e harmonioso
Somente possível com base na tecnologia.
Estando entre livros, a ela bastava, apenas,
Tê-los em suas mãos, processá-los tecnicamente,
Colocá-los nas estantes,
Estudar seus conteúdos, conhecer seus autores,
Ler as suas linhas, mas não adentrar as entrelinhas:
Não formar as próprias linhas.
Pensava:
– enfadonho mais um livro a espera de seus leitores.
Mais uma escritora a buscar o seu reconhecimento
No universo literário, quando, então,
Depara-se com o salmista a lhe dizer:
– “Demais, “filha minha”, atenta: não há limite para fazer livros” (Ecl.12:12)
Logo, não perde mais tempo,
E se lança a disseminar seus textos, na rede mundial.
Queria mesmo era galgar imensurável público.
Ele, seu parceiro virtual
Também se valia desse veículo
Para disseminar seus pensamentos.
Pensador incansável que,
“Como o artífice que, pelas suas mãos, cria
Uma obra de arte, ele – o pensador –
Busca fazer do pensamento
Uma frase de arte”. (Elanklever)
Ademais, percebia na sua pesquisa algo interessante,
Que talvez o leitor desavisado não pudesse alcançar
– a mescla de falas –
E, incansável, passa a exercitar sua veia escritora.
Depois de haver passado uma vida inteira entre livros,
Agora podia estar dentro deles:
Ser a personagem...
Ser musa inspiradora.
– Quem sabe melhor ainda:
Ter a quem lhe inspirar a rima do verso.
Ser a autora...
Ser a co-autora...
Podia adentrar o universo do escritor
– seu virtual amigo e grande motivo
Para que seus textos fluíssem.
(Não fora ele, jamais se pensaria escritora).
Até podiam se encontrar,
– Ainda que no virtual –
E perceberem-se almas de poetas...
De pensadores:
Que riem,
Que choram,
Que encantam,
Que cantam.
Que falam de amores,
Que falam de dores.
Que buscam...
Que procuram...
E trocarem pensamentos que se mesclam.
E perceberem que, na criatividade do amor,
Impossível colocar-se um ponto final
Melhor, ainda...
Sentir a vida
“Como se um livro fora:
A cada ano uma nova edição,
A cada dia uma nova página,
A cada hora um novo texto,
A cada minuto uma nova palavra
E, a cada segundo,
Entre um sim ou não
Mudar-se a história”. (Elanklever)
Mas...
Enquanto o virtual cede ao real
E os dois próximos, mãos dadas,
Corpos entrelaçados, na intimidade de amantes,
Encontram no livro, a quatro mãos,
Horas infindas de inspiração
– Quando a distância acalentava sonhos –
Os dois passam a vislumbrar um horizonte
Que vai muito além do que possa a vista alcançar.
E baixinho, pé do ouvido, ela confidencia:
Não fora aquele encontro virtual
Razão alguma houvera
Para que aquele projeto se tornasse público.
Ele, então, olhando para o quadro na parede,
Que há pouco terminara,
Percebe ser ela motivo para sua inspiração,
E uma nova história se inicia.
Pois, enquanto “alguns têm seu ponto de vista
Outros, uma vista de algum ponto,
O poeta/pensador
Pensador/poeta vai bem além
De qualquer ponto”. (Elanklever)
Ademais...
E, acima de tudo, os dois...
Dão início a uma nova história.
E...
Juntos, passam a ler,
Aquele que fora motivo desse
Encontro maravilhoso – o livro a quatro mãos.
E se deliciam...
E lêem...
E voltam a escrever...
E gostam de escrever, pois...
Gostam de ler o que pensam.
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Texto extraído do livro "A QUATRO MÃOS" de Inajá Martins de Almeida